A arquitetura é um processo contínuo de seleção, no qual o arquiteto cumpre a tarefa fundamental de definir prioridades

e onde o estudo do objeto arquitetônico deve buscar a compreensão da própria condição humana. O traço do arquiteto

torna-se inteligível não apenas pelo capricho de uma bela forma, pela exaltação de uma possível verdade, pela simples

congruência construtiva, pela equalização programática ou por rebeldia, mas pela elaboração de um sistema que

configura a complexa relação de causas e efeitos, em cujo centro está o ser humano. O nosso grande desafio consiste

em proporcionar aos homens a felicidade, a alegria cotidiana, a harmonia entre o ser e seu meio. O meio é este universo

que contém o sol, a luz, o vazio, as ondas do mar, o futuro do qual é impossível nos apoderarmos, os nossos corpos, a

gravidade, o dia e a noite, o ciclo de 365 dias e, enfim, a única verdade absoluta que conhecemos - a certeza de que,

com o tempo tudo muda. O arquiteto obriga-se a caminhar em equilíbrio contínuo com o mundo. Usa o aprendizado

empírico e a técnica para alcançar seu objetivo maior – a arte – e é justamente nesses cenários onde se revela a

beleza de seu mister.
 
 
                                 

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